quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Com a trilha de Trent Reznor (da banda Nine Inch Nails) e Atticus Ross, possíveis ganhadores do Oscar 2011 pela criação da trilha sonora do filme A Rede Social (The Social Network) inicio aqui, após sugestão de alguns amigos, uma lamúria pernóstica. Para quem curtiu a excelente trilha eis o link para o download:  http://www.multiupload.com/4ZA9JX8URD. Vale a pena.


Assisti ao filme Enterrado Vivo (Buried). Um filme que se passa inteiramente dentro de um caixão de madeira. Um filme com apenas um personagem (Ryan Reynolds). Em tempo: Ryan acaba de se divorciar de Scarlett Johansson... Penso que Woody Allen, por um instante, emitiu um olhar de esguelha e soltou um sorriso amarelo. Em seguida, voltou a beber seu café.

Um crítico famoso que não vou dizer o nome (Rubens Ewald Filho) disse que o filme é apelativo e claustrofóbico. Mas ele nem assistiu ao filme (???). É preciso assistir para criticar ou hoje em dia basta a informação por terceiros?

O filme foi rodado na Espanha durante 17 dias. O diretor é espanhol (Rodrigo Cortés) e o pano de fundo do filme é político. No entanto, foi vendido como um filme de terror, mas NÃO É. É suspense. É, sobretudo um filme político. Realmente o oxigênio não acaba e a chama do isqueiro perdura o filme todo. A aparição da cobra pode ter sido apelativa. Mas isso pouco importa. O filme é original e consegue ser bom naquilo que propõe. Estranho é o filme A Rede Social retratar a vida do criador do Facebook, embora o mesmo afirmar que há algumas inverdades. Ora, mas é filme, todo filme tem historinha não é? Quer dizer que o filme sobre Truman Capote não é fidedigno a vida dele? Não concordo com esse tipo de roteiro. Me faz lembrar  Macunaíma. Me faz lembrar que norte-americano continua a vender mentiras. A vida como ela não é. E no filme sobre Mark Zuckerberg os diálogos se encaixam, é tudo redondinho. Um jogo de palavras bem jogado. Como em Match Point de Woody Allen. 

Mas o que realmente importa é: Quem se importa conosco? O personagem (Paul Conroy) é um americano que está a trabalho no Iraque. Depois de um ataque de iraquianos, Paul é enterrado vivo com um isqueiro Zippo e um celular. Com este ele se comunica com o meio externo e com o rebelde que o encaixotou. Ele tenta falar com esposa, com a empresa na qual trabalha e com a embaixada dos EUA.

A melhor discussão que o filme proporciona é a de que ninguém se importa com ninguém. O que importa é o dinheiro. O que importa é que você, mesmo se morto, não deve trazer problemas para quem continua vivo.

Somos enterrados vivos e enterramos pessoas o tempo todo. Hoje eu enterrei uma pessoa. Uma funcionária da academia. Ela apenas queria me informar que amanhã a academia fechará mais cedo. Eu fui indiferente e hostil. Ela se tornou funérea e corou as bochechas. Prossegui, subi as escadas e minha auto-flagelação teve seu início. Eu acabo de enterrá-la viva, disse. O que me importa saber se academia fechará mais cedo? O trabalho dela em me informar não me importa? Não importa a mim ser agradável?

Já na lanchonete da academia, um colega puxou assunto. Enquanto lanchávamos ele relatava sobre sua profissão. Ele e a namorada vendem sapatos femininos pela internet, através do Mercado Livre. Eles mesmo embrulham os sapatos solicitados e enviam para o cliente. Vendem de 10 a 20 sapatos por dia. Diz ele ser um bom negócio. Achei curioso e me interessei pelo assunto. Não que eu queira vender algo. Nunca comprei algo pela internet. É, na medida do possível, algo bem estruturado. Ele só recebe o pagamento após o cliente ter recebido o produto. E x% fica com o Mercado Livre. Paga 300 reais por mês ao que seria um "imposto" para uma locação, a qual seria em seu próprio apartamento. Trabalha 12 horas por dia. E o apartamento é lotado de sapatos. "Mais de 90% são sapatos femininos. Homem só compra sapato se tiver furado", disse ele.

Conhece aquele comercial de cerveja em que 4 mulheres abrem um closet e começam a berrar porque se deparam com centenas de sapatos?? (http://www.youtube.com/watch?v=S1ZZreXEqSY)

Imagine agora elas entrando no apartamento dele. Hahaha. Ele disse que vende sapato para o Japão, por que as mulheres japonesas têm o pé pequeno e não encontram sapatos referentes ao tamanho de seus pés no Japão. Interessante não é??. Mulheres, no Japão, têm os pés pequenos e os homens....Hahaha. Piada gasta. O chichê do dia.


A Relíquia do dia vai para a funcionária da academia. Ela nunca saberá disto, desta reflexão. Mas fica a tentativa em não enterrar, simbolicamente, pessoas vivas.

3 comentários:

  1. O mundo precisa realmente se livrar do eterno blá, blá, blá em relaçâo a tudo que se cria e que vive, como diz Nietzsche, fazer planos ou imaginar as coisas (eu empliaria isso também ao que se fala sobre tudo) pode parecer simples e distrai bastante, muita gente faz isso, mas logo depois quando vão por em ação, elas se frustram por simplismente deixar de imaginar e iniciar, a primeira nâo condiz com a última nunca. Então, muito do que os críticos dizem é pura lorota, vale lembrar também que são geralmente pessoas frustradas.. Parabéns, gostei do teu ponto de vista Vinícius! O título também é muito criativo.

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  2. "As relíquias que você fez pra mim".. Vale uma paródia/homenagem ao nosso "Rei", não que seja um rei, claro que não é, mas tem o seu lugar ao sol como compositor e como cantor. Gosto dele quando lembro que chegou ao refinamento de compor uma música tão forte como: Fera ferida, e quem canta muuuito bem é a nossa poderosa Maria "Bothânica" rrss, Então fica essa bobagem de paródia: "As relíquias que você fez pra mim". kkkkkkkkkkkkkkk

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