terça-feira, 15 de março de 2011
PONTO FINAL
Quem nunca pegou erroneamente um ônibus por causa de uma atenta desatenção?
O engraçado é o sexto sentido nos mostrar um nuance estranhamento no ar. O ônibus não era o certo ou a informação repassada foi a errada? Pergunto para uma transeunte quais os ônibus vão para o terminal. Eis uma enxurrada de números: o 3, 13, 33, 41, 51 e blábláblá. Ok, obrigado- disse. Chega o ônibus.
O caminho é irreconhecível, mas segundo disse minha informante ele irá para o meu destino. Porém restam eu e mais um rapaz dentro do veículo. Parada no próximo ponto. O menino desce. E o motorista diz: Ei, esse é o PONTO FINAL. Olho ao redor e não reconheço nada, exceto a escuridão do ambiente a qual me atrai, feito céu nublado ou trovões no final de um dia ensolarado. Eu pergunto: "Mas motorista, este ônibus não iria para o terminal?" Ele responde a minha já negada interrogativa: - "Sim, mas já passamos pelo terminal faz tempo". Sem saber o que argumentar, eu desço do ônibus catarticamente em direção a um bairro residencial escuro, estranho e solitário. A única pessoa na rua era eu. E detalhe: não fazia idéia aonde eu estava.
O que fazer agora? Esperar o próximo ônibus? Mas teria um próximo? Ligar para um táxi? Por instantes, eu permaneci parado, desligado e atônito.
De início após a descongelação veio o auto-flagelamento, feito um xiita em peregrinação. A raiva foi instantânea. A sensação de impotência foi o sentimento próximo. A conformação veio somente no dia seguinte. E com ele o aprendizado. Requiém da própria dúvida.
Bom, somos inteiramente responsáveis pelos ônibus errados que traçamos. Seja pela desatenção, seja por uma espécie de destino. Não o destino pré-inscrito na alma. Mas o destino circunstancial, não de algo cósmico ou espiritual que nos trata feito marionetes.
Ônibus errado. Caminho errado. Ou seria, caminho diferente? Todo caminho diferente é o errado? Ou o errado é apenas diferente?
Ao perceber o caminho distinto, notei que apesar de obscuro havia muitas passagens bonitas. Curvas, arquitetura vestindo a paisagem, vistas para o mar em angulações diferentes. Havia como é fácil de notar muito clichê neste caminho.
Temos embutidos em nossa veia social que time vencedor não se altera. Temos medo do diferente. Temos ojeriza até. E muitas vezes conhecemos o novo apenas quando erramos o caminho. Portanto, é preciso errar para conhecermos o outro lado da avenida?
Fui assistir Bruna surfistinha. De início me neguei a ver este filme. Medo do diferente? Talvez. Bruna fez algo não habitual. Ganhou dinheiro e fez fama nacional vendendo a vagina. Fez errado? É errado vender o corpo? Bom, isso seria assunto para um outro post. O filme não faz apologia à prostituição. O filme conta a história de uma menina que sofria bulliyng e resolveu sair da casa dos pais e do ambiente social em que vivia. E a alternativa encontrada para sobreviver foi através da prostituição. O filme é bom. Debora Secco fez refez e desfez muito bem o seu papel. E a Bruna está na telona, na sala de aula, no apartamento ao lado do nosso.
O aprendizado maior que temos que ter é a de que não temos que ambicionar sempre o destino que almejamos como forma de vitória.
Acredito que a maturidade suprema é aceitarmos os novos caminhos sem pestenejar. Sem culpa. Medo é o habitual. Aceitar a não chegada ao destino é opcional. Não se deve ter isso como obsessão. Pois se for nos tornamos reféns de nós mesmos. E assim, entramos num ciclo vicioso feito o centro de um tornado.
Bom, para quem se interessou pela história inicial. Nada como um ônibus após o outro, certo?. O resgate. A espera. Eis que chego no meu ponto final através de um caminho diferente. Mas prometi repensar sobre o que importa não é o destino, mas sim os novos caminhos que nos levam a lugares diferentes. Eis a relíquia do contexto.
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