domingo, 18 de dezembro de 2011

OLHAR ESCONDIDO

Duas coisas: duas pessoas. 




Uma delas é a Dona Maria, 83 anos, idosa, rugas nordestinas por toda a pele. Cabelos brancos comprimidos na altura dos ombros. Reside sozinha num casarão antigo em uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Maria é sozinha e solitária. Está sempre com sua cadeirinha amarela sentada em frente sua casa a ver as pessoas passarem. Está sempre a conversar com os transeuntes que param para conversar com a velha senhora. Sou um destes. Passo em frente a casa da dona Maria pelo menos cinco vezes por semana e sempre a vejo ou sentada em frente sua casa ou a praticar jardinagem. Dona Maria é lúcida embora já vi indícios de demência senil. Observo Maria toda vez que a vejo. E quando não a vejo me lembro dela. 






A outra pessoa é um senhor do qual não sei o nome. Pelo menos cinco vezes na semana vou ao Parque Balneário tomar café e o vejo sentado sempre sozinho nas mesinhas próximo ao café. Aparenta ter mais de 70 anos e sempre está de terno e gravata. Fica solitário na mesa e a maioria da vezes está a cochilar com a cabeça quase a despencar para trás. Há dois dias tive a informação de que ele mora sozinho e nunca se casou. E toda vez que vou ao café procuro por ele. E sempre o vejo. Ele não me vê.




Pergunto-me: Oque essas duas pessoas estão a me ensinar?????


Resposta: Bom, não tenho certeza, mas talvez exista alguém que também nos observa com olhos cegos.

3 comentários:

  1. Uma dica: Seu blog não vai deixar de ser um lixo se você continuar pretensioso desse jeito. Pára!

    ResponderExcluir
  2. vinicius alves de souza8 de janeiro de 2012 às 17:37

    Obrigado pela visita gata!!! Pretensão é não se identificar, fica dica!!!! (deitado no chão de tanto gargalhar)

    ResponderExcluir
  3. Que coisa boa ...sensibilidade é tudo nesse seu mundo hospitalar. Conseguir depois de atender tanta gente com dor, medo, insegurança, enfrentar o desconhecido, a entrega do seu corpo ao outro que acredita-se ter o dom da cura e ainda conseguir do lado de fora ter esse olhar...que sublime. Fico mega feliz em ter sido atendida por você, naquele momento sentia uma dor alucinante, nem com três partos normais nas costas senti tamanha dor, você foi capaz de me trazer de volta a normalidade e com essa calma toda, mesmo com meu marido naquele momento sendo tão deselegante, você não perdeu sua postura e galantemente soube entender o medo que ali residia naquele homem que estava sem controle por amor a sua esposa. Parabéns por conseguir olhar esses idosos e ainda achar que algo esta por dizer, conseguir olhar além do seu próprio umbigo. Talvez eles estão querendo dizer-lhe algo como: o tempo passa, a pele murcha, o encantamento passa, a solidão existe, mas ainda sim estamos aqui, existindo, co-existindo...

    ResponderExcluir