Ontem eu conheci Francisco José, um pernambucano de 43 anos, com uma voz paciente e suave, típicos de nordestinos. Ele há 20 anos tem diabetes do tipo 1. Francisco já amputou um pé por conta da doença e já perdeu a visão. A única visão que ainda lhe resta é um certo embassamento.
Francisco agora não urina mais e tudo o que come ele vomita. A pele está ressecada e com um esfarelamento esbranquiçado sobre a pele.
Francisco evoluiu para Insuficiência Renal. Seus rins estão quase a parar de funcionar.
Ele agora terá que fazer diálise.
Os exames de sangue que avaliam a função renal foram pedidos e chegaram. Foi o momento em dizer o valor da creatinina , a qual quanto mais alta significa que os rins não estão filtrando bem o sangue.
Francisco é casado com uma pernambucana simples, tão doce quanto ele. Ela ainda mantém o mesmo olhar de uma criança. E o tempo todo incentiva o marido. Mas está muito preocupada. Sabe o que significa uma creatinina elevada.
Ei Francisco chegou o resultado dos exames, eu disse. A esposa ficou prontamente ao meu lado com um olhar trêmulo.
Quanto deu doutor?, perguntou a esposa.
Deu 12.
Ela começou a chorar. Os olhos de Francisco ficaram úmidos, como se os olhos quisessem filtrar todo aquele sangue.
Mas vai dar tudo certo né doutor?, perguntou a esposa.
E eu???
Eu to até agora mordendo os lábios para não chorar. Não por emoção, pois é óbvio que eu me emocionei, mas por vergonha.
Vergonha de ser tão mesquinho frente a pessoas tão humildes e com uma cruz tão imensa nas mãos.
Perdão Francisco. Você me ensinou muito ontem.
Impossível não chorar.... tô aqui tentando imaginar como foi o momento de dizer a verdade.
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