quarta-feira, 22 de junho de 2011
1102 a 2011
Fui assistir ao novo filme do Woody Allen "Meia noite em Paris". Não é um filme habitual de Woody. Cheira o estranho. Diferente. Não chega a ser inovador. Mas mostra que Woody experimentou o "novo"para ele. Ao assistir um filme do diretor você já espera alguns cacoetes e, de repente, neste novo filme oops.... há algo estranho. Num primeiro momento fiquei incomodado, mas durante o filme entendi a proposta do diretor. E sosseguei. E gostei. Entendi. Viajei. E fui embora. Nada de extraordinário, mas um filme que se destaca frente aos roteiros de "Pânico 4", "X men" e afins. E ainda de brinde há Paris. Mas há quem prefira Paris Hilton.
Há várias críticas embutidas no filme, por exemplo: "os jovens dessa geração são desinteressados e sem conteúdo"- disse o personagem.
Mas a linhagem do filme é a de que nós achamos que as gerações posteriores são mais interessantes, mais engajadas, mais cultas e mais...mais...mais... e a geração passada acha a sua geração passada mais interessante, mais engajada, mais culta e assim por diante. Um ciclo de pormenorização não analisada.
Não acho que a geração mais antiga tenha sido mais interessante que a atual. É apenas diferente. Funcionava com os recursos que tinham. E ponto. Elis Regina também cantou:
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais
Mas ao ouvir a letra toda da música percebe-se uma ambiguidade:
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Já disse que gosto muito de idosos?. São a minha mais nova forma de dose diária de alegria. São educados. São dóceis. São mais experientes. E são modernos. Conheci uma senhora de 57 anos com um piercing no lábio. Outra havia feito cirurgia bariátrica e apareceu com barriguinha de fora. Outra tinha gastrostomia e traqueostomia. Tem 83 anos. Elegante, simpática e muito viva, mesmo não conseguindo emitir um som qualquer. Não serei geriatra. Mas começo a ver a velhice de uma forma diferente. É inevitável. É necessário. Mas é ainda assustador.
Ser jovem num país de idosos, afinal a população está a envelhecer, não é? É sim...Mas hoje me sinto unitário, um tanto melancólico. Algo bem esporádico na minha rotina na verdade. Mas amanhã é outro dia e serei contemplado com novos sorrisos de idosos concisos e com as marcas no rosto que eu custo (por ora) a aceitar.
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